
O cuidado integral à saúde do homem é fundamental para prevenir doenças, identificar fatores de risco e possibilitar o diagnóstico precoce de diferentes agravos. Durante o Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde masculina, a Secretaria da Saúde (Sesa) reforça a importância da Atenção Primária à Saúde (APS) como porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS) e principal caminho para que os homens tenham acesso ao cuidado contínuo e integral.
Realizada principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a APS é o nível de atenção que constitui a principal porta de entrada do SUS e desempenha um papel essencial na promoção da saúde, na prevenção de doenças e no acompanhamento dos usuários ao longo da vida.
Para ampliar o acesso dos homens a esses serviços, o SUS conta com estratégias que incentivam a busca pelo cuidado e aproximam esse público das equipes de saúde. De acordo com a referência técnica da Saúde do Homem, da Sesa, Ana Paula Melim, essas iniciativas ampliam as oportunidades de acolhimento e incentivam os homens a cuidar da própria saúde.
“Entre as estratégias, destacam-se o Pré-Natal do Parceiro, que possibilita aproveitar o período de acompanhamento da gestante na UBS para acolher o homem e incentivá-lo a cuidar da própria saúde”, destacou a profissional.
A consulta do Pré-Natal do Parceiro constitui uma oportunidade para atualização da situação vacinal, realização de testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites, aferição de pressão arterial e avaliação de fatores de risco. Além disso, permite acolher demandas relacionadas à saúde mental, orientar sobre hábitos de vida saudáveis e fortalecer a participação paterna ativa e responsável.
O desafio está em ampliar a busca pelo cuidado por parte dos homens. Segundo dados do Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde (SIAPS), do Ministério da Saúde, o Espírito Santo registrou 385.597 atendimentos por procedimentos relacionados ao sexo masculino na faixa etária de 20 a 59 anos, de janeiro a agosto de 2026, com 293.084 usuários atendidos. Em paralelo, foram registrados 682.123 atendimentos por procedimentos relacionados ao sexo feminino, com 584.184 usuárias atendidas, nessa mesma faixa etária e durante o mesmo período.
Os dados reforçam também a percepção de que os homens procuram menos os serviços de saúde, e isso pode gerar consequências importantes, como o agravamento dos quadros de saúde que poderiam ter sido diagnosticados precocemente. Desta forma, a Sesa recorda que as ações do Novembro Azul constituem uma oportunidade para sensibilizar homens, gestores e profissionais de saúde sobre o autocuidado e cuidado integral da saúde, considerando os fatores socioculturais relacionados à masculinidade e ao adoecimento.
Atenção às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)
O acompanhamento regular na Atenção Primária à Saúde (APS) é essencial para a prevenção e o controle das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Elas se caracterizam como problemas de saúde que surgem gradualmente e acompanham o paciente por longos períodos, demandando acompanhamento constante.
Entre as principais DCNT estão as doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular cerebral (AVC); a hipertensão arterial sistêmica (HAS); o diabetes mellitus (DM); a obesidade; e as doenças respiratórias crônicas, como a asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
Segundo explicou a referência técnica da Saúde do Homem, Ana Paula Melim, as DCNT, diferentemente das doenças infecciosas, não são transmitidas de pessoa para pessoa e estão fortemente associadas ao estilo de vida e aos fatores de risco, como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool.
A identificação precoce é uma ferramenta fundamental para evitar complicações e garantir mais qualidade de vida à população, e é na APS que esse cuidado é iniciado. “Muitas dessas condições podem ser evitadas ou ter sua evolução retardada por meio da adoção de hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, evitar o tabagismo, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e realizar acompanhamento periódico nas unidades de saúde”, informou Ana Paula Melim.
Câncer de Próstata
No Espírito Santo, assim como no Brasil, o câncer de próstata ocupa posição de destaque entre as neoplasias malignas que mais acometem a população masculina. Ele é o câncer mais comum entre os homens, com exceção dos cânceres de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se a ocorrência de 1.920 novos casos para o triênio de 2026-2028.
De janeiro à primeira quinzena de outubro de 2026, foram diagnosticados 417 novos casos de câncer de próstata no Estado. Em 2025, durante todo o ano, foram 1.031 novos diagnósticos. Nos dois anos, as faixas etárias com maior número de novos casos foram de 60 a 64 anos, 65 a 69 anos e 70 a 74 anos. Os dados são do Painel Oncologia, do Ministério da Saúde, e são preliminares, sujeitos a atualização.
Em relação aos óbitos por câncer de próstata, foram registrados 314 neste ano, de janeiro a outubro. A doença é a quarta principal causa de morte entre os homens no Estado, atrás do infarto agudo do miocárdio, com 722 óbitos, da pneumonia, com 339 óbitos, e da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com 319 óbitos, primeira, segunda e terceira principais causas, respectivamente. Em 2025, foram 418 óbitos por câncer de próstata. Os dados de óbitos também são preliminares e com fonte do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM).
O Ministério da Saúde, assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS), não recomenda que se realize o rastreamento do câncer de próstata, ou seja, não é indicado que homens sem sinais ou sintomas façam exames. Entretanto, orienta a redução dos fatores de riscos para o câncer, como o controle do tabaco, prevenção ao uso do álcool, promoção da atividade física, alimentação saudável, combate ao sedentarismo e à obesidade, entre outros.
O homem deve procurar atendimento na Unidade Básica de Saúde de referência para investigar sinais e sintomas, como dificuldade de urinar; demora em começar e terminar de urinar; sangue na urina; diminuição do jato de urina; necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. O SUS oferece ainda tratamento em hospitais habilitados em oncologia, incluindo exames clínicos, procedimentos cirúrgicos e tratamentos.


