
O ex-prefeito Lorenzo Pazolini chega à reta final da eleição tentando preservar uma posição difícil de explicar ao eleitor: mantém uma aliança formal com o PL, declarou voto em Flávio Bolsonaro e recebeu o apoio do senador para disputar o Governo do Espírito Santo, mas evita transformar essa aproximação em uma identidade política clara.
Flávio aparece pouco em sua campanha, Magno Malta, principal articulador do PL no Estado, praticamente não aparece, e o próprio Pazolini costuma resumir sua posição dizendo que, se eleito, pretende “governar com todos”. O problema é que, fora das alianças eleitorais, não fica tão claro quais são as posições do candidato sobre algumas das pautas que historicamente mobilizam a direita.
É aí que está a contradição que o eleitor precisa observar. Pazolini quer disputar um eleitorado identificado com a direita e conta com uma estrutura política que passa por Flávio, Magno e o PL, mas mantém distância pública dos mesmos personagens e evita apresentar com clareza um conjunto de compromissos que permita ao eleitor saber o que esperar de um eventual governo.
Não se trata de questionar a aliança com o bolsonarismo ela é pública. A questão é saber por que, se essa aliança é suficientemente importante para compor uma chapa e buscar votos, ela não aparece com a mesma clareza na comunicação do candidato.
O comportamento também precisa ser observado à luz da trajetória de Pazolini. Antes da aproximação com o PL, o ex-prefeito cultivou relações com outros setores da política capixaba, inclusive com o ex-governador Paulo Hartung, que chegou a apoiá-lo na disputa pelo Governo do Estado. Ao longo desse percurso, Pazolini construiu a imagem de alguém capaz de conversar com diferentes grupos. Seus críticos, porém, questionam a distância entre essa imagem de diálogo e episódios de sua passagem pelo comando da Prefeitura de Vitória que consideram marcados por uma condução centralizadora do poder.
No fim, a questão que fica para o eleitor não é de qual grupo Pazolini diz estar mais próximo, mas quais são, de fato, suas posições e como pretende governar.
Da Redação


