
A marca deixada pelo desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) Antônio José Miguel Feu Rosa no Judiciário capixaba foi a tônica dos discursos na inauguração do edifício que leva o nome da personalidade. Inaugurado nesta segunda-feira (27), na Enseada do Suá, em Vitória, o imóvel foi adquirido junto à Caixa e funciona como anexo, comportando setores da área administrativa.
Na solenidade, o presidente da Assembleia Legislativa (Ales), deputado Marcelo Santos (União), disse que a homenagem é a manutenção de um legado.
“Nenhum grande homem vive em vão. A história da humanidade nada mais é do que a biografia dos grandes homens. Antônio José Miguel Feu Rosa foi e sempre será um grande homem. Jornalista, professor, chefe de família, deputado estadual e federal, advogado, desembargador e presidente do Tribunal de Justiça. Ele revolucionou, no seu tempo e a seu modo, o sistema de Justiça capixaba”, disse Marcelo.
O presidente da Assembleia ainda comentou sobre a relação de amizade entre o homenageado e seu pai, o político Aloizio Santos:
“Fico muito honrado de poder ter vivenciado a relação de amizade que ele e meu falecido pai tinham, e que isso tenha sido passado para os filhos. Estar aqui pela Assembleia é dizer, sim, que a história dele teve muita importância para todos os Poderes, inclusive o Legislativo, onde ele passou não apenas como deputado, mas como servidor de carreira que foi. É uma justa homenagem que o Poder Judiciário faz dessa figura que todos nós temos uma lembrança muito boa”.
Em seu discurso, a presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, destacou o caráter e espírito público do homenageado:
“(…) com a força de seu caráter, sua vontade de servir à sociedade e, acima de tudo, seu jeito leve, leve de ser sem formalidades, com transparência, ouvindo a todos e em todos os momentos. O que o Tribunal de Justiça hoje cumpre é uma obrigação de prestar a ele e a sua família uma homenagem para que o nome do desembargador Antônio José Miguel Feu Rosa seja lembrado sempre por todas as gerações que compõem o sistema de Justiça”, disse.
Outro deputado presente na homenagem, Mazinho dos Anjos (MDB) lembrou que foi estagiário no Tribunal de Justiça quando Antonio Miguel ainda era vivo: “É importante essa homenagem porque é uma pessoa admirável. Quando era estudante de Direito aprendi muito com ele, fui estagiário aqui no Tribunal de Justiça, em 2001, e só tenho que parabenizar ao Tribunal por dar o nome dele a esse prédio, que será importante para os servidores do Judiciário e a população capixaba”.
Filho do homenageado, ex-presidente e decano do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, o desembargador Pedro Valls Feu Rosa fez questão de lembrar “principalmente os acertos dele em vida, as atitudes corajosas, o espírito público elevado, buscando inspiração em um momento tão difícil da vida nacional”.
E lembrou o episódio da votação, pela Câmara, do pedido feito pela Justiça de licença para processar o então deputado Márcio Moreira Alves, que ensejou a edição do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, que inaugurou a fase mais dura do regime militar.
“Eu me permito lembrar o voto que ele deu contrário à licença para abertura de processo contra o deputado federal Márcio Moreira Alves, que custou a ele, pessoalmente, muito caro, mas deixou para toda uma geração uma mensagem de intransigência quanto à independência e a autonomia das instituições, do Poder Legislativo, do Judiciário e do Executivo. Lembrar desses momentos e essas passagens inspira e é bom”, disse Pedro Valls.



