
A influenciadora digital Isabel Veloso morreu neste sábado, 10, após enfrentar uma longa e delicada batalha contra um câncer. Diagnosticada em 2021 com linfoma de Hodgkin, ela passou por diferentes protocolos de tratamento ao longo dos últimos anos, incluindo internações frequentes e procedimentos de alta complexidade. A notícia comoveu seguidores e reacendeu discussões sobre os limites físicos enfrentados por pacientes oncológicos em quadros avançados da doença.
Nos últimos meses, o estado de saúde de Isabel exigiu atenção redobrada. Desde novembro, ela estava internada após apresentar dificuldade para respirar, baixa saturação de oxigênio e níveis elevados de magnésio no sangue, condição que acabou levando à intubação. O quadro preocupou familiares e médicos, sobretudo por envolver um desequilíbrio metabólico considerado raro, mas potencialmente grave.
Em outubro, Isabel havia passado por um transplante de medula óssea, com doação do pai, Joelson Veloso, em uma tentativa de conter a progressão da doença. A influenciadora também viveu uma pausa forçada no tratamento oncológico ao descobrir a gravidez do filho Arthur, hoje com apenas um ano. Após o parto, ela retomou os cuidados médicos conforme orientação da equipe que a acompanhava, mas o organismo já apresentava sinais de fragilidade importantes.
A morte foi confirmada pelo marido, Lucas Borbas, pai de Arthur, que vinha compartilhando atualizações sobre o estado de saúde da influenciadora. O falecimento ocorre em meio a uma fase especialmente sensível, marcada pelo pós-transplante e por complicações clínicas que exigiram suporte intensivo.

O que é a hipermagnesemia e por que o quadro inspira cuidados
Para entender o que levou à última internação de Isabel Veloso, a CARAS Brasil conversou com o médico integrativo Dr. Wandyk Alisson, que explicou a condição metabólica identificada nos exames da influenciadora e os riscos associados ao aumento excessivo de magnésio no sangue.
Antes de detalhar os impactos clínicos, o especialista esclarece que se trata de uma alteração pouco comum em pessoas com função renal preservada, mas que pode surgir em pacientes debilitados ou com múltiplas comorbidades.
“A hipermagnesemia é uma condição na qual os níveis de magnésio (Mg²⁺) no sangue ultrapassam os valores normais. Normalmente, os rins excretam o magnésio em excesso; por isso, casos graves são raros em pessoas com função renal normal”, diz.
O médico destaca que, quando esse equilíbrio é rompido, o efeito do magnésio em excesso pode atingir sistemas vitais de forma progressiva e silenciosa, agravando rapidamente o estado clínico do paciente.
“Quando o magnésio se acumula, ele interfere na transmissão neuromuscular e na excitabilidade cardíaca. Os sintomas vão de fraqueza muscular, náuseas, confusão, até depressão respiratória, hipotensão, arritmias, perda dos reflexos e — em níveis muito altos — paralisia muscular, insuficiência respiratória, bloqueio cardíaco e risco de parada cardíaca”, explica.
Segundo o especialista, a toxicidade eletrolítica causada pelo excesso de magnésio não deve ser subestimada, especialmente quando envolve órgãos essenciais para a manutenção da vida.
“Uma alta de magnésio sérico significa risco real a músculos (incluindo os responsáveis pela respiração), coração e consciência é uma toxicidade eletrolítica grave quando não corrigida com rapidez e precisão”, alerta o especialista.
Por que o excesso de magnésio pode levar à intubação
Ao comentar a necessidade de intubação em quadros como o enfrentado por Isabel, o médico explica que o impacto do magnésio elevado vai além de sintomas isolados e pode comprometer funções vitais de maneira simultânea.
“Quando o magnésio está muito alto, ele pode causar depressão neuromuscular e respiratória, paralisando ou reduzindo a eficiência dos músculos responsáveis pela respiração. Ao mesmo tempo, pode gerar instabilidade cardiovascular, com hipotensão, bradicardia ou arritmias graves que comprometem a oxigenação. Em pacientes fragilizados, como transplantados ou imunossuprimidos, esses desequilíbrios se tornam ainda mais perigosos. Se essa combinação evolui, pode haver risco real de insuficiência respiratória, exigindo intubação e ventilação mecânica para salvar a vida enquanto o excesso de magnésio é corrigido”, detalha.
Por fim, o especialista reforça que, em cenários severos, a hipermagnesemia pode evoluir rapidamente e ter desfechos fatais, sobretudo quando o diagnóstico ou a intervenção não acontecem a tempo.
“Sim, há risco real e grave: em casos severos de hipermagnesemia, sem tratamento rápido, pode ocorrer parada respiratória, parada cardíaca, coma ou até morte. A literatura descreve que, quando não reconhecida a tempo, a condição pode ser fatal, e mesmo com tratamento a gravidade depende da rapidez em corrigir o distúrbio. Em pacientes oncológicos, já fragilizados, esse risco é ainda maior, por isso a hospitalização e até UTI fazem sentido em um cenário tão crítico”, finaliza.
Fonte: Revista Caras / Dr. Wandyk Alisson


