O governo de Renato Casagrande começa com crise. A divergência de interesses entre o grupo do ex-governador Paulo Hartung, que permanece, e em maioria no atual governo, e a equipe de Casagrande é latente. Exemplo disso foi a reação do grupo no caso do “dinheiro no colchão”, em que o grupo do ex-governador garantira que havia dinheiro em caixa.
Situação que a equipe de Casagrande, sobretudo, a área ligada à parte financeira, já percebeu ser bem diferente. Apesar de o grupo hartunguete garantir que há dinheiro disponível, esses recursos são para a aplicação em obras iniciadas no governo passado.
A crise se estende à Assembleia Legislativa. Alguns deputados se queixam da falta de atenção do governo às demandas dos deputados. A relação entre o Legislativo e o Executivo mudou e os parlamentares não se sentem privilegiados no palácio Anchieta.
Um ponto bastante comentado na Casa é a reforma administrativa que até julho vai eliminar 280 cargos e mexerá na estrutura da Assembleia. Até o momento, os deputados não sentiram muito as mudanças, já que os cargos cortados até o momento, cerca de 160, foram dos deputados que não se reelegeram, mas, em breve, começarão a surgir as reclamações.
Segundo um deputado, o plenário esperava alguma movimentação de Casagrande para tentar amenizar a situação, mas, até o momento, o governador não chamou os deputados para ouvir as demandas.
Outra reclamação dos deputados é sobre a falta de atenção às bases, o governador tem visitado vários municípios nos finais de semana, mas não tem convidado os parlamentares ou chamado em cima da hora, algo que no governo Hartung não acontecia. Sempre que ia às bases, convidava e festejava os parlamentares que por lá se elegeram.
Para os deputados, a falta de identidade do governo Casagrande na relação política com as instituições pode prejudicar o governador. Como não conseguiu criar um elo entre o Executivo e o Legislativo, pode ficar fragilizado diante de uma manobra política do ex-governador Paulo Hartung, que conseguiu manter com a Assembleia uma relação de submissão durante os oito anos de seu governo.
Fonte: Renata Oliveira
Foto capa: Riokan


