O deputado estadual Dr. Henrique Vargas (PRP) deu entrevista ao site Século Diário no ultimo sábado, anunciando sua pré candidatura a prefeito de São Gabriel da Palha, a matéria esquentou o clima político gabrielense, deixando em aberto as composições para o pleito.
Segue abaixo a entrevista completa e o link do site.( http://www.seculodiario.com.br/exibir_not.asp?id=72732 )
Com 13.502 votos apurados nas urnas, a grande maioria obtida na região noroeste do Estado, o deputado estadual Henrique Vargas (PRP) foi a grande surpresa das eleições de 2010. Este ano, apresentando um projeto alternativo à polarização da disputa em São Gabriel da Palha, entre os grupos do ex-prefeito Luiz Pereira (PP) e da prefeita Raquel Lessa (PSD), ele tenta reunir um grupo de partidos para formar uma terceira via no município.
Mas, alerta, por se tratar de uma cidade do interior, que tem muita dificuldade em conseguir representação na Assembleia Legislativa, Vargas tem procurado ouvir a população antes de bater o martelo. Como conversa com o grupo da prefeita com o grupo de Luiz Pereira, pode compor tanto com um quanto com outro.
Nesta entrevista a Século Diário, o deputado fala sobre seu projeto de campanha, das principais necessidades do município e dos problemas a serem enfrentados pelo novo prefeito diante da perda de R$ 400 mil por mês que o município terá com o fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap). Confira a entrevista com Henrique Vargas.
Século Diário – O senhor é pré-candidato a prefeito de São Gabriel da Palha. Gostaria que falasse um pouco sobre o cenário eleitoral no município para este ano.
Henrique Vargas – Antes de eu entrar na política só havia dois grupos políticos em São Gabriel, principalmente nas últimas eleições, o grupo do Paulo Lessa, da prefeita Raquel Lessa e o grupo do ex-deputado Luiz Pereira, o doutor Luiz, também ex-prefeito, assim como Paulo Lessa. A política era dividida entre esses dois grupos. Eu nunca havia sido candidato, me filiei em 2009 no PRP. Tentei entrar em outros partidos, mas era muito difícil. Para quem está fora da política até arrumar um partido para você disputar é muito complicado.
– Ainda mais no interior, que isso é bem fechado entre os grupos, não é?
– Isso. Fiz reuniões com vários partidos, PSB, PMDB, PMN, sempre levando a ideia de que queria ser candidato a deputado estadual, mas não tive oportunidade. Aí, entrei no PRP e logo que lancei a pré-candidatura a deputado estadual veio muita gente querendo um grupo novo na política de São Gabriel. Como eu dialogo com os dois grupos, tive a capacidade de absorver pessoas tanto de um lado quanto do outro. Formei um grupo político de lideranças locais, de distritos, de bairros e esse grupo me deu sustentação. Consegui chegar aos 52,33% dos votos de São Gabriel para deputado estadual. Para deputado o voto é muito difícil, principalmente para estadual.
– Sua eleição para a Assembleia, pelo menos para Século Diário, foi uma surpresa, porque seu nome não aparecia nos mapas eleitorais das lideranças.
– Por isso que foi uma surpresa, porque eu não era político. Mas estudando e vendo os movimentos, fizemos a campanha em quatro cidades da região: São Gabriel, que era o meu objetivo maior, para me destacar politicamente lá dentro, e como não tinha recursos, fiz campanha no município mesmo. E aí vi que no último mês que a campanha ganhou um tamanho bom, fui para os outros três municípios, Vila Valério, São Domingos e Governador Lindenberg e comecei a falar com esses municípios, onde as pessoas já me conheciam como médico. Deu certo. Recebi 9, 5 mil votos em São Gabriel, 1,8 mil em São Domingos, mil em Vila Valério e 300 em Governador Lindenberg e o resto espalhado. Aqui na Grande Vitória tenho muitos amigos, estudei aqui durante 10 anos. E a legenda – foi o Dary Pagung que me convidou, na época, para entrar – fez eu e o Dary Pagung em primeiro. A partir daí, percebi que a população queria algo novo.
– Mas eleição municipal é muito diferente de eleição proporcional.
– É totalmente diferente. Agora, lá, temos 10 pré-candidatos a prefeito e estamos tentando fazer alguma coisa. Eu converso com os dois grupos políticos e tem o meu grupo. A gente pode sair só com o meu grupo e outros dois candidatos, um de cada lado. Como posso também me associar, dependendo das conversas, tanto no grupo do Luiz quanto no grupo da Rachel.
– Hoje quem teria mais capital para disputar a eleição, a prefeita?
– Capital político, sim. Tem a máquina na mão.
– E a maioria dos 10 candidatos disputa o apoio da prefeita, não é?
– Não. O doutor Luiz, por exemplo, não conversa com a prefeita.
– Sim. Ele é oposição.
– São inimigos políticos. O Nodir Colombo, que é do PCdoB, também é contrário e também o PT, que tem uma vereadora que faz parte do grupo da Rachel, mas o presidente é contrário ao grupo da Raquel. O Polaco, que é do PSB, também é contrário à prefeita. Do lado da Raquel tem três pré-candidatos: Anilson, que é chefe de gabinete dela, que é do PPS; o Elinho Bahier, que é do PMDB e o Leo Bragato, que é do PSD, o mesmo partido da Raquel, agora. Esses são os pré-candidatos dela que, no meu ponto de vista, porque ainda não temos pesquisas, não conseguirão emplacar. O doutor Luiz tem um capital político de quem já foi prefeito, foi deputado. Então, a configuração é essa: o doutor Luiz, os três pré-candidatos do grupo da Raquel. Eu, que estou no meio, posso sair pelo lado da Rachel, no grupo da oposição ou posso ainda sair com o meu grupo.
– E hoje, chegando próximo das convenções, qual o cenário mais provável para o deputado?
– Hoje é mais provável que eu saia com PRP, PTN, PDT, DEM e o PSDB, em um grupo juntos.
– Seria uma terceira via?
– Terceira via. Esse que é o grupo com o qual eu tenho compromisso e que pretendemos caminhar juntos. Vou fazer o pré-lançamento da minha pré-candidatura no próximo dia 2 de junho e vamos ver como vai ser, como a população vai absorver. Mas eu posso também não vir e apoiar, porque depende. Eu estou ouvindo muito a população. Temos essa conquista, porque é difícil para São Gabriel ter um deputado estadual. Mandei 90% da minha emenda parlamentar para a Saúde, porque um hospital de São Gabriel está fechado.
– Essa, aliás, é a grande polêmica de São Gabriel.
– Isso, um hospital está fechado e o outro hospital está passando por uma dificuldade muito grande, a prefeitura agora está ajudando, está mantendo o hospital. Esse recurso de R$ 900 mil de emenda que enviei ao município, mais o restante que o governo do Estado vai mandar (R$ 1,7 milhão), vai financiar toda a reestruturação do hospital, que será mantido pela prefeitura. E o outro hospital, que é do Luiz está fechado, e aí vai depender do próximo prefeito.
– Isso certamente vai entrar no processo eleitoral, não é?
– Com certeza vai entrar no processo eleitoral. Falando como deputado estadual, a gente não tem condição de abrir o hospital, não depende do deputado. Temos que discutir o porquê do hospital ter sido fechado. Havia indício de irregularidade, é preciso saber se essas irregularidades foram comprovadas ou sanadas para reabrir, porque se tiver algum entrave judicial não tem como reabrir o hospital, nem se o prefeito quiser.
– Isso acaba beneficiando sua candidatura porque fica esse embate entre o Luiz e a prefeita e o senhor aparece como via alternativa a esse embate, certo?
– Isso aí. Embora São Gabriel não seja simples, não. Em nenhum lugar é, não é verdade? Eu antes de entrar para a política estudei medicina aqui em Vitória e sempre trabalhei lá, nunca tive problema com ninguém, mas quando você entra na política, parece que o mundo desaba. Mas converso com todo mundo. Isso é que deu certo. Por ser médico, tenho um contato direto com o povo e isso me favorece, mas não é só isso, porque já teve médico que entrou na política e não recebeu voto nenhum. Depende de sua organização como político, a vida familiar também influencia e tem a campanha. É fundamental entrar na campanha com uma proposta, um objetivo e a nossa proposta para São Gabriel é a de voltar a ter uma atenção primária à saúde, porque já chegamos ao ponto de São Gabriel não ter mais nada. O hospital que está lá já foi referência no norte do Estado. As pessoas saíam de Nova Venécia, Águia Branca, Pancas, São Domingos, Vila Valério e todo mundo era atendido ali. Isso foi perdido em São Gabriel e a nossa proposta é retomar isso. Se você olhar no mapa vai ver que São Gabriel é um ponto central daquela região, não é Nova Venécia. Mas para conseguir retomar isso é preciso uma interação com os outros municípios também.
– O senhor, se eleito, vai entrar com uma leva de prefeito que terá uma dificuldade muito grande diante da nova configuração econômica que surge a partir do fim do Fundap…
– Haverá uma perda muito grande. São Gabriel terá muita dificuldade. São Gabriel vivia basicamente da agricultura, antigamente, do café conilon. Com o tempo isso foi mudando, porque nós perdemos Vila Valério e Águia Branca, que se emanciparam e hoje Vila Valério é o segundo maior produtor de café conilon do Estado. São Gabriel ficou lá pra baixo, perdemos essa lavoura para Vila Valério. São Gabriel hoje é o terceiro maior polo de confecção do Estado, ficando atrás apenas da Glória [em Vila Velha] e de Colatina. São 8,5 mil empregos diretos nas fábricas. Segundo o último censo de 2010, a população do município cresceu e a arrecadação também, mas não é um polo, como Linhares, São Mateus e Colatina. Mas a confecção passa por uma crise, com a concorrência da China. Essa é uma preocupação muito grande. Temos o café, que está com um preço bom, o produtor está estável.
– Mas isso não resolve o problema.
– Não resolve o problema. Com o fim do Fundap, São Gabriel perde R$ 400 mil por mês. Só para se ter uma ideia do que significa essa perda, com esse dinheiro daria para manter os dois hospitais. O próximo prefeito vai ter um trabalho muito grande: aumentar a arrecadação para compensar a perda. Sem esses R$ 400 mil, São Gabriel perde quase toda a capacidade de investimento. Vai depender muito do governo do Estado, de como o governo vai se comportar nos próximos dois anos para conseguir fazer um trabalho satisfatório.
– Além da Saúde, quais as outras carências de São Gabriel da Palha?
– Outro problema é a segurança. Não é só lá que as pessoas pedem saúde e segurança, mas lá a situação também é complicada. Com o aumento do número de usuários de drogas, de crack, em especial, a violência aumentou.
– Mesmo sendo um município do interior?
– Sim, mas nos bairros a situação é complicada. Eu, como médico, tenho contato com a população e vejo isso. Chega gente querendo ajuda. Primeiro porque o viciado começa a roubar a própria família. Depois que ele destruiu aquela estrutura, ele passa para a criminalidade. São roubos, assaltos, assassinatos. O problema grave de São Gabriel hoje é a epidemia do crack que está em todos os níveis de classes. E aí entra a segurança junto com a saúde, porque não adianta você ter só repressão, o crack é uma coisa complexa demais. A repressão tem que ter, mas acho que é o último caso, você tem que ter a prevenção para evitar que as pessoas entrem no vício, o tratamento e, por último, a repressão. Aí não envolve só o município, precisa uma estrutura em nível nacional, porque isso vai aumentar mesmo o índice de criminalidade, mesmo que o Estado invista em policiamento, com contratação de novos policiais, mas se não tiver a prevenção isso é uma bola de neve que não terá como resolver.
– Voltando à questão política, na sua opinião, qual o cenário mais difícil de enfrentamento nas eleições deste ano, com o ex-prefeito Luiz Pereira ou com a prefeita Raquel Lessa, ou ambos serão difíceis?
– A disputa é difícil com qualquer um dos dois grupos políticos…
– São dois grupos tradicionais…
– No grupo que formei, há tanto pessoas de um grupo como do outro. Mas vamos supor que haja três candidatos, acho que a eleição será bastante disputada e vai depender do debate, da capacidade de cada um dos candidatos em agregar alianças, em mostrar seus projetos para a população. A gente não tem pesquisa, não é…
– E o sentimento da rua?
– Eu sinto que minha aceitação é grande e o Luiz também tem um bom capital político e vem na corrida eleitoral bem também. A Raquel nem tanto, porque ela, apesar de ter um bom desempenho, não transfere votos, até porque, eu acho, ela não preparou um sucessor. Ela fez os dois mandatos e nesse pleito, pelo menos, não sinto que ela esteja entusiasmada em colocar alguém para a sucessão, fazer força para eleger alguém. E o Luiz, como está há algum tempo sem mandato, está ali com o grupo de oposição, mas não tem um mandato. Então, acho que temos tudo para ter sucesso. Só se alguma coisa der errado.
– Então, pelo que o deputado está dizendo, o adversário mais duro parece ser o ex-prefeito Luiz Pereira, é isso?
É. Parece ser o mais difícil. Eu tive uma reunião com o grupo e eles queriam que eu fechasse com o grupo de Pereira, mas eu não poderia fazer um compromisso desses agora. Estou no meio desse cenário e eu converso com os dois, os dois são meus amigos, estou no meio do fogo cruzado.
– E como é a campanha em São Gabriel? Lá não tem TV.
– Não temos, não. Lá é reunião nos bairros e de casa em casa, pedindo votos. Foi o que eu fiz para deputado, foi o que a Raquel fez, quando se elegeu. Todo mundo faz assim, de casa em casa, mostrando sua proposta. Um material informativo você tem que ter com seu projeto de campanha, mas você tem que ter um poder de convencimento muito grande, porque lá não tem televisão, tem uma rádio lá, mas é uma rádio comunitária, não vai participar. Os meios de comunicação não vão ter influência.
– O que o senhor vai levar do seu mandato de deputado estadual, como experiência, para a eleição de prefeito?
– Foi minha primeira experiência política. Estou aprendendo muito. As dificuldades que a gente tem de conseguir as coisas, driblar a burocracia. Por exemplo, tem um ano e meio que eu estou montando projeto do hospital e até hoje você esbarra na burocracia. Chega lá e a PGE pede outro documento. Quanto a gente não tem mandato acha que é tudo fácil, mas não é. Esse ponto foi muito importante para mim, aprender a lidar com essa burocracia, a ter paciência para conseguir as coisas. Isso é devido a antigas leis federais que travam tudo.
– Os deputados também encontram dificuldade para fazer leis. Não é verdade?
– Totalmente limitado. Só como exemplo, fiz um projeto de lei voltado para crianças com Síndrome de Down, porque 50% dessas crianças nascem com problema cardíaco grave e se você descobrir isso no nascimento vai melhorar a qualidade de vida dessas crianças e das famílias. Fiz um projeto que obrigava toda criança portadora de Síndrome de Down a fazer o exame. O projeto passou por todas as comissões permanentes, foi aprovado em plenário, passou pela procuradoria da Casa, foi para o governo e o governo vetou. Por ai percebemos a dificuldade de aprovar um projeto que só iria trazer benefício, mas esbarra na nossa Constituição Estadual, Federal. Essa é a maior dificuldade, porque não somos o Executivo, que executa. E as pessoas têm uma imagem de que é o deputado tem essa obrigação de executar. Isso é um dos motivos de muitos parlamentares tentarem um cargo no Executivo, para você ter condições de fazer, de executar as obras. Essa é a diferença do legislativo para o Executivo e que a população não sabe.
– Então o senhor já tinha essa ideia de ser prefeito antes?
– Eu queria ter experiência de deputado, porque eu nunca participei da política, queria saber como funcionava, se a população ia aceitar o meu nome, como ia ser. Mas a minha ideia era a de vir candidato a prefeito, mesmo perdendo. Felizmente deu certo na minha primeira tentativa e tivemos conquistas importantes. Na Assembleia faço parte das comissões de Segurança, de Saúde e de Agricultura como titular e de Cidadania, como suplente. Tivemos conquistas para o município e passamos para o governador a dificuldade que temos. Por exemplo, o trecho que liga São Gabriel a Colatina, é um trecho sem acostamento, todo dia tem acidente, eu já tive acidente ali, e com a minha eleição consegui levar para o governo esse problema. Agora ele anunciou a obra da ponte do Pancas até São Domingos e, depois o contorno de Colatina, se juntar as duas obras vai dar uns R$ 100 milhões. Foi importante para a região eu ter sido eleito deputado estadual, mas acho que eu vou poder contribuir muito mais como prefeito.
– O senhor pode ser surpresa novamente na eleição deste ano?
– Eu acho que sim. Espero que uma surpresa boa. Espero que a população entenda o nosso motivo. Vamos passar de casa em casa mesmo, como é feita a campanha lá, com muita simplicidade, eu junto com minha esposa e minhas filhas, vamos mostrar nosso objetivo para São Gabriel.



BOA DR. HENRIQUE
PRA CIMA DELES DO DR LUIZ E PAULO LESSA. SEM NINGUÉM SÓ MAIS VOCÊ