Em política pode até parecer, mas nenhum movimento é aleatório. Por isso, mesmo que os gestores justifiquem uma dedicação prioritária às administrações, nos bastidores esquentam as articulações para as eleições municipais de 2012. A um ano das convenções partidárias que vão sacramentar os candidatos, a Grande Vitória tem um rol extenso de pré-candidatos. Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica já respiram a sucessão.
Essas quatro prefeituras representam um espaço cobiçado na política estadual, capaz de associar visibilidade, projeção e ricos orçamentos – o maior, de R$ 1,57 bilhão em 2011, é o estimado de Vitória. As quatro cidades somam 41% do eleitorado capixaba, ou 1 milhão de eleitores. Além disso, os prefeitos reeleitos querem eleger seus aliados, o que capitaliza condições competitivas para o pleito de 2014.
O tabuleiro da sucessão de João Coser (PT), em Vitória, promete um acirrado cenário. São cotados o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), a ministra Iriny Lopes (PT), os deputados federais César Colnago (PSDB) e Manato (PDT), os vereadores Serjão (PSB) e Max da Mata (PSD), entre outros. A novidade seria a aliança, citada nos bastidores, do PSDB com o PSB do governador Renato Casagrande, tradicional aliado dos petistas.
O próprio Coser teria acordos com Hartung e a ele declarou antecipado apoio. Enquanto isso, o PT lançou Iriny em um evento fechado e sem articulações. “O partido vai montar uma agenda e aí fico à vontade para conversar”, diz Iriny. Ela, segundo aliados, se mostra tranquila com as movimentações de Hartung, consideradas previsíveis no sentido de que ele “põe o pé na porta” para fazer o processo passar por ele e, lá na frente, dar as cartas no jogo dos nomes mais competitivos.
É meta nacional do PT manter e conquistar capitais em 2012. Controlando seis cidades capixabas, o partido quer o mesmo aqui. Caso de Cariacica, onde o prefeito Helder Salomão planeja investir R$ 100 milhões este ano – o orçamento é de R$ 405 milhões. As realizações devem ajudar o candidato de Helder, a ser definido no início de 2012.
A deputada Lúcia Dornellas e o presidente da Agência de Desenvolvimento em Rede do Estado (Aderes), Pedro Rigo, ambos do PT, são cotados. “A prioridade é a gestão. Estarei de corpo e alma na campanha só em junho de 2012”, diz Helder. O deputado Marcelo Santos (PMDB) deve se lançar. O vice Juninho (PPS) e a ex-deputada Aparecida Denadai (PDT) são citados.
“Agora que o PT me indicou como pré-candidata, vamos montar uma agenda para conversar com partidos e lideranças da cidade. Acredito que todo o partido vai se engajar. Foi uma decisão unânime”
Ministra Iriny Lopes (PT)
pré-candidata em Vitória
“A cidade está conquistando resultados, sem impedimentos burocráticos de ano eleitoral para obter recursos. Justamente por isso não posso me dar ao luxo de pensar em reeleição agora”
Neucimar Fraga (PR)
prefeito de Vila Velha
Vila Velha: cenário congestionadoO prefeito Neucimar Fraga (PR) não é unanimidade em Vila Velha, repassou o comando do partido no Estado ao senador Magno Malta e perdeu o PT da base governista. Mas ele aposta em um pacote de obras que supera R$ 500 milhões para consolidar resultados de gestão. O orçamento 2011 é R$ 804 milhões.
Lançando mão da estratégia de banir a palavra reeleição de seu plano de governo, o prefeito tem mantido cautela para evitar virar vidraça antes do tempo. Em conversas reservadas, jura que ainda não decidiu se vai participar como candidato ou coadjuvante da eleição de 2012. Mas é tratado como candidato.
Na conhecida overdose de candidatos, Vila Velha deve ver o deputado Hércules da Silveira (PMDB) na disputa – antes, ele terá de se entender com um PMDB aliado de Neucimar. O ex-prefeito Max Filho (PTB) conseguiu o controle da sigla e vai tentar retomar o posto. O deputado estadual Rodney Miranda (DEM), lançado informalmente, deve estar no páreo se ganhar musculatura até 2012.
Já o PT se movimenta com pelo menos três nomes: o deputado estadual Cláudio Vereza, que disputou a prefeitura em 2008; Guilherme Lacerda, mais ligado à cúpula nacional do PT; e o vereador Babá, que busca densidade junto a lideranças de base.
Vidigal e Audifax em duelo na Serra
Na Serra, dois ex-aliados devem protagonizar um duelo que já teve o primeiro round na eleição de 2010. O prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e o deputado federal Audifax Barcelos (PSB) são nomes certos na eleição de 2012.
O primeiro passou por desgastes políticos recentes e trabalha com um agenda positiva para estancar dificuldades. Gestor de um orçamento de R$ 760 milhões este ano, Vidigal deve jogar com o êxito de suas gestões anteriores e tem hoje a seu lado o PT do deputado estadual Roberto Carlos e o PR do secretário estadual de Esportes, Vandinho Leite – que podem se lançar na disputa majoritária.
Já Audifax, mesmo concentrado no mandato na Câmara, conquistou do PSB, que hoje tem a vice de Vidigal, a garantia de que terá legenda para disputar a Prefeitura da Serra. O desafio, porém, será conquistar o controle da sigla no município. Segundo aliados, Audifax está articulando alianças com lideranças de bairros na Serra, uma cidade extensa geograficamente. Faz também um conjunto de alianças de ao menos seis partidos.
Audifax, ex-prefeito que rompeu com Vidigal por não ter apoio do PDT para a reeleição em 2008, foi o mais votado para a Câmara no Estado, deixando em segundo lugar a colega Sueli Vidigal (PDT), mulher do prefeito. Essa polarização, porém, abre espaço para uma terceira via na Serra, beneficiando o PT, determinado a lançar Roberto Carlos. Já Vandinho tenderia a recuar, tentando a Câmara em 2014.
Espaços privilegiados
1 milhão de eleitores
É a soma total de eleitores de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra. O maior colégio eleitoral do Estado
é Vila Velha, com 280.524 eleitores.
Fonte Gazetaonline


