
A crescente quantidade de denúncias, recomendações e decisões contrárias do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) envolvendo a gestão do prefeito Tiago Rocha tem causado incômodo e preocupação entre vereadores de São Gabriel da Palha. O cenário, que se intensificou ao longo de 2025, voltou a acender o sinal de alerta logo na primeira quinzena de janeiro de 2026, ampliando o desgaste político dentro da Câmara Municipal.
Somente no ano passado, foram inúmeras as manifestações do TCE-ES apontando falhas administrativas, inconsistências em processos licitatórios e indícios de atos considerados, no mínimo, duvidosos no âmbito do Executivo Municipal. As decisões sucessivas do órgão de controle têm gerado instabilidade política e reforçado a percepção de fragilidade na condução administrativa da atual gestão.
O episódio mais recente ocorreu com a decisão do Tribunal de Contas que determinou a suspensão imediata do Pregão Eletrônico nº 77/2025, da Prefeitura de São Gabriel da Palha. O certame previa a contratação de uma empresa para auditoria da folha de pagamento municipal, com valor estimado em R$ 7,05 milhões. A medida atinge diretamente a administração do prefeito Tiago Rocha e a atuação da Secretaria Municipal de Administração, comandada por Franciele Rocha, responsável pela condução do processo.
Nos bastidores, vereadores relatam que o acúmulo de apontamentos do TCE-ES tem gerado desgaste não apenas para o Executivo, mas também para o Legislativo, que acaba sendo cobrado pela população diante das sucessivas controvérsias envolvendo a Prefeitura. Parlamentares, inclusive da base aliada do prefeito, já admitem cansaço e preocupação com o reflexo político dessa situação, que dificulta a governabilidade e compromete o diálogo institucional.
Além disso, a relação conturbada entre alguns secretários municipais e os vereadores tem agravado o clima político. A falta de interlocução e o distanciamento entre Executivo e Legislativo são apontados como fatores que podem transformar o atual ambiente em um verdadeiro “barril de pólvora”, com potencial para gerar rupturas políticas e travar ainda mais o andamento de pautas importantes para o município.
Vereadores procuraram a reportagem para relatar o desconforto com o atual cenário, destacando que o acúmulo de problemas administrativos, somado às constantes intervenções do Tribunal de Contas, acaba paralisando o município, prejudicando investimentos, projetos e o desenvolvimento local.
O contexto reforça a pressão sobre a gestão do prefeito Tiago Rocha, que inicia 2026 sob forte vigilância dos órgãos de controle e com sinais claros de desgaste político, inclusive entre aliados, em um momento em que a cidade cobra estabilidade administrativa e resultados concretos.



