Embora não endosse as posições tidas como homofóbicas e racistas do pastor-deputado Marco Feliciano (PSC-SP), a bancada evangélica capixaba em Brasília defende a permanência dele na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Apesar de todos os protestos e denúncias, o senador Magno Malta (PR) e os deputados Sueli Vidigal (PDT), Manato (PDT) e Lauriete (PSC) querem o cumprimento do acordo de líderes pelo qual o PSC indicou o pastor para comandar o colegiado.
“Feliciano tem que continuar. Ele foi eleito, indicado e ainda nem assumiu! Se tiver uma conduta racista ou homofóbica nos trabalhos, aí sim deve ser retirado”, afirma Manato.
A favor do pastor, o pedetista diz que a presidente Dilma Rousseff (PT) já sinalizou apoio ao aborto, mas, no poder, não tomou posição nesse sentido: “Feliciano tem que explicar as declarações. Na comissão, tem que ser magistrado, agir na legalidade e segundo o regimento”.
Oportunidade
Sueli pede uma “oportunidade” para o pastor “mostrar a que veio”. “Vamos deixá-lo dar sequência no trabalho dele. Acordo de líderes não se quebra. Podemos divergir das posições dele, como eu discordo das do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), mas vamos avaliar se o Feliciano vai ser parcial”.
Para a deputada, a renúncia é “um problema partidário” do pastor com o PSC.
Magno Malta, por meio de assessoria, declarou pensar de forma totalmente diferente de Feliciano e que não comunga de suas ideias. “Porém, por respeito à democracia e à proporcionalidade dos partidos, ele tem legitimidade para continuar no cargo de presidente”.
O pastor-deputado, acrescenta o senador, deve explicar todas as afirmações que fez, inclusive sobre dízimo. “Quem fala pelo cotovelo tem que se explicar pela boca”.
Lauriete reiterou, via assessoria, que a saída da presidência é uma decisão pessoal de Feliciano, em quem votou por indicação do partido. Ela disse que agora só o líder do PSC falará sobre o caso.
André Moura (SE) afirmou ontem que “não há possibilidade” de o parlamentar renunciar.
Pastores desaprovam postura do deputado
Lideranças evangélicas do Estado são unânimes em afirmar que a postura do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) não condiz com os preceitos bíblicos. Em entrevistas recentes, ele declara que negros são “amaldiçoados”, que mulheres não devem trabalhar fora e, em um vídeo disponível na internet, cobra a senha do cartão de um fiel. “Depois vai pedir o milagre a Deus e Deus não vai dar”, afirma no vídeo.
“Não subscrevo a ideia do Marco Feliciano. Ele tem posturas com as quais não concordo, que não representam uma postura evangélica, bíblica e religiosa consistentes”, ressaltou o reverendo Hernandes Lopes, da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória.
O pastor pondera que o deputado não pode ser criticado por sua visão religiosa – e sim pelos atos que praticar à frente da Comissão de Direitos Humanos. “Ele foi legitimamente eleito. O que podemos cobrar é coerência no exercício da função”, pontuou o presbiteriano.
Quem pensa de forma semelhante é o pastor Oliveira de Araújo, da Primeira Igreja Batista de Vitória. Ele condenou a fala de Feliciano a respeito de uma “maldição” aos negros.
“Não se pode ligar a cor da pele a uma maldição. Sobre o pedido da senha do cartão, como dízimo, vejo que tem gente zombando de Deus e da boa fé das pessoas”, citou.
Líder da Assembleia de Deus, o pastor Oscar de Moura também crê que Feliciano foi infeliz nas declarações. Mas, como os outros pastores, critica movimentos pró-casamento homossexual. “Querem transformar a nação em Sodoma e Gomorra”, frisou.
Fonte: A Gazeta


