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‘A aliança preferencial é com o PSB do governador Renato Casagrande’

Webmundo Soluções por Webmundo Soluções
9 de outubro de 2011
em Destaques

Com a homologação do PSD no Estado e o fim do prazo para as filiações partidárias, o novo partido nasce grande no Espírito Santo. Com mais de 100 vereadores e sete prefeitos, muito mais do que muitos partidos antigos, como o PT, por exemplo, que tem pouco mais de 70 vereadores e seis prefeituras. Em entrevista a Século Diário, o organizador do partido, Enivaldo dos Anjos, fala sobre a preparação do partido para a eleição do próximo ano, que é o primeiro passo para alcançar a meta em 2014 de eleger um deputado federal e quatro estaduais.

Ele fala sobre a aliança com o PSB do governador Renato Casagrande, assim como sobre a rixa com PMDB e DEM, partidos com os quais deverá acirrar as eleições, sobretudo no interior do Estado. Mas, na Grande Vitória, o PSD também quer participação nas disputas nos maiores colégios eleitorais do Estado, em alguns casos como protagonista, como na Serra, com o promotor Sant’Clair Nascimento, ou compondo alianças, como em Vila Velha, apoiando a reeleição do prefeito Neucimar Fraga.

Enivaldo dos Anjos fala ainda da necessidade de os 16 partidos que apoiaram a eleição de Casagrande continuarem unidos na eleição do próximo ano, para compensar os participantes do projeto de 2010 e da participação do ex-governador Paulo Hartung na disputa em Vitória. Confira a entrevista de Enivaldo dos Anjos.

Século Diário: – Agora o senhor é de fato dirigente partidário. O PSD foi homologado, já está constituído e tornou-se mais uma peça no tabuleiro eleitoral do próximo ano. Para que lado vai o PSD?

 Enivaldo dos Anjos: – Bom, eu sou dirigente partidário provisório. Fui convidado para dirigir o partido provisoriamente, e essa organização findou nesta sexta-feira, com as filiações. É meu pensamento, em dezembro, depois que o partido estiver todo organizado no Estado, fazer uma eleição no PSD para eleger o presidente estadual e a Executiva Estadual do partido. Eu só posso responder isso em janeiro, a partir da eleição. Hoje a minha função está sendo encerrada até a organização final e que seja entregue em São Paulo, ao prefeito Gilberto Kassab, o resultado do trabalho feito no Espírito Santo. Se eu for reconduzido ao cargo, poderei falar sobre esse assunto.

Então, vamos fazer de conta que o senhor foi reconduzido à presidência do partido. Se for reconduzido, para onde levará o partido? Com quem fará aliança e o que espera conquistar no Espírito Santo?

Se eu for reconduzido à presidência do partido, a aliança preferencial é com o PSB do governador Renato Casagrande.

Essa é uma condição nacional, já que o PSD nasce muito próximo do PSB

Mas eu não estou tratando disso como uma questão nacional, não. Estou tratando disso também pela condição nacional, mas, principalmente, pelo quadro de 2010. Em 2010 foi feito um agrupamento de 16 partidos para fazer um projeto político para fazer a eleição dele e eu estou dentro desse projeto. Acho que esse projeto tem que ser mantido. A aliança que foi feita em 2010 com PDT, com PR, com PMDB, com PSB, com os 16 partidos, eu defendo que ela tem de ser mantida, inclusive na eleição municipal do ano que vem.

Destrinche essa manutenção da aliança. O que significa isso para 2012?

Acho que, no mínimo, essa aliança deve trabalhar pela eleição do PR, em Vila Velha; a eleição do PDT, na Serra; deve trabalhar para a eleição do PT, em Cariacica, e deve acompanhar a decisão do líder da coligação, relacionada ao PT em Vitória. Isso na Grande Vitória, para que essa aliança não seja só para a eleição do Renato Casagrande. As lideranças que compuseram essa aliança têm a responsabilidade de manter o espaço de cada um na eleição de 2012.

Então o senhor é a favor da entrada do ex-governador Paulo Hartung na eleição do próximo ano em Vitória. Do apoio do PT a Hartung com o recuo da candidatura da ministra Iriny Lopes?

Eu sou a favor de todos os 16 partidos apoiarem a eleição dele, se ele desejar ser prefeito de Vitória, porque esse foi o movimento feito em 2010. Ele participou da construção da eleição do Renato com a composição com o PT, com o PDT, com o PR, e seria normal que o PMDB tenha a prefeitura de Vitória. Se o próprio prefeito de Vitória entende que é preciso fazer a transição, o PT não pode ficar a vida inteira na prefeitura. Se ele acha isso, eu também acho, e acho que todos os 16 devem apoiar o ex-governador.

Mas aí temos a questão das nacionais. A Nacional do PSDB orienta que o partido dispute todas as capitais, assim como a Nacional do PT, e nesse contexto Vitória ganha destaque porque é a única do Sudeste governada pelo PT. Como fica essa questão?

Isso é balela. Quem orienta não manda. E quem fala disso aqui no Espírito Santo está mentindo porque nenhum partido nacional vai interferir na eleição municipal a ponto de querer impor uma situação. Partido inteligente pode até sugerir alguma coisa nos estados, mas ele é capaz de entender que as composições nos estados vai beneficiá-lo nas eleições gerais de 2014. Então, ninguém vai impor nada, principalmente o PT, que tem uma liderança das mais inteligentes que o Brasil já viu, que é Luiz Inácio Lula da Silva.

Então, o que está dizendo é que teremos Neucimar Fraga reeleito em Vila Velha, Sergio Vidigal reeleito na Serra, o sucessor do prefeito Helder Salomão eleito em Cariacica e o ex-governador Paulo Hartung eleito em Vitória. É isso?

Mas não foi esse o acordo feito em 2010? Não tiveram capacidade de ficar juntos em 2010, porque não poderão ficar juntos em 2012? A população não pode ser surpreendida com interesses individuais. Se eles se uniram para eleger o governador em 2010, podem se reunir para contemplar cada um que fez parte do projeto agora na eleição municipal.

Sim, mas demos os nomes. O mapa é esse?

Sim. Não digo eleitos, mas eles têm que se unir. Eu, por exemplo, na Serra, não apoio o Vidigal. Temos candidato, que é o promotor Sant’Clair, mas eu não estava na mesa de 2010 para definir o apoio a Renato como liderança partidária, o meu partido não existia, mas PMDB, PR, PDT e PT sentaram e fizeram um acordo para eleger Ricardo Ferraço como senador, eleger a bancada federal. Então, o que a população espera… imagino que a lógica não pode ser uma em 2010 e em 2012 ser completamente diferente.

Então, o PSD, como não existia no ano passado e não fez parte dessa composição, ficou livre para transitar dentro desse arco de alianças ou fora– Exatamente.

Seria o único que tem essa liberdade…

Temos essa liberdade porque não participamos da composição de 2010. Vamos fazer aliança onde interessar ao partido fazer.

Com o prazo fatal para as filiações partidárias nessa sexta-feira (7), de que tamanho ficou o PSD no Estado?

Dentro do nosso planejamento, o PSD superou as expectativas. Tínhamos a expectativa de ter de quatro a cinco prefeitos, uns 50 a 60 vereadores, chegamos a pensar no máximo em 70 e fechamos as filiações com mais de 100 vereadores e sete prefeitos, seis vice-prefeitos e 15 ex-prefeitos. Para disputar a eleição municipal, nós estamos entusiasmados com a ideia de que vamos fazer uma base que vai causar inveja a muito partido velho.

E teremos nomes competitivos para 2012?

Nós temos nomes competitivos em 20 municípios e temos nomes para fazer composições interessantes, composições em que nós vamos ser o fiel da balança em outros 15 municípios.

É interessante notar que o PSD não se interessou por deputados estaduais. Havia um bom número querendo migrar para o PSD, mas foram desestimulados.

Nós não quisemos participar da polêmica, que nós percebemos no início, que seria criada se buscássemos deputados estaduais. Muitos partidos iriam se sentir atingidos e largamos essa discussão, que seria uma discussão estéril, e partimos para buscar a base municipal, porque o projeto era fazer um partido municipal e fazer um movimento parecido com o que fizemos em 1990, com a eleição do governador Albuíno Azeredo. Ou seja, a base que estamos criando e consolidando para a eleição do ano que vem vai nos permitir sonhar em 2014 em eleger quatro deputados estaduais e eleger um federal, que é a grande meta do partido para 2014.

O PSD não terá imediatamente nenhuma representação na Assembleia?

Não. Não buscamos tirar nenhum deputado de nenhum partido, não queríamos criar problema com DEM, com PR, então achei melhor fazer uma política de boa convivência com os partidos, embora nem todos os partidos tenham feito uma política como essa com o PSD, principalmente o PMDB, que nos atacou nos quatro cantos do Estado.

O que se falava é que o PSD não queria levar deputados para não criar donos nos diretórios municipais. Havia realmente essa preocupação?

O tempo todo fugimos dessa possibilidade. Fizemos um partido em que os diretórios municipais vão ter autonomia e ninguém vai ser dono do partido, colocando pessoas ligadas, parentes. Uma das lógicas que nos valemos é de que as comissões provisórias não tivessem parentes para que o partido fosse feito dentro das comunidades com o máximo de participação possível.

Na Grande Vitória, como ficará o partido na eleição do próximo ano?

Na Grande Vitória estamos muito bem. Na Serra, temos um movimento interessante, baseado em lideranças comunitárias, estamos renovando a política, não queremos ninguém com mandato. Em Cariacica, estamos com o presidente da Câmara, que é uma liderança emergente que tem possibilidade de colocar o nome como pré-candidato. Temos uma chapa muito boa de vereadores, podemos fazer quatro vereadores em Cariacica. Em Vila Velha, vamos apoiar a candidatura à reeleição de Neucimar Fraga (PR), que é uma decisão do partido, em homenagem ao senador Magno Malta, que ajudou a construir o projeto de 2010. Lá temos dois vereadores: o vereador Almir Neves, que é o presidente do partido, e tivemos uma aquisição muito boa na política de Vila Velha, que é o vereador Anderson Pires, que é um nome que vai surpreender na política do Estad o, muito bem sedimentado no movimento organizado. Em Viana, estamos com quatro vereadores e lá nós vamos apoiar, em princípio, a candidatura da deputada Solange Lube (PMDB), mas temos condições de ter candidato a vice em Viana e reeleger pelo menos quatro vereadores. Em Vitória, temos um movimento com o vereador Max Da Mata e temos uma chapa boa de vereadores. Ele está analisando a hipótese de disputar a prefeitura de Vitória. Ele deu uma declaração dizendo que, se o ex-governador Paulo Hartung disputar, ele não disputará. Vamos aguardar essa movimentação, porque se o ex-governador não for candidato e o Max Da Mata mantiver essa disposição de disputar, o partido vai analisar qual a posição e em Vitória vamos tomar uma posição em conjunto com o PSB.

Bom, com o partido organizado dessa forma e Max Da Mata com a possibilidade de disputar a eleição de prefeito, fica fácil a possibilidade de em 2014 eleger um deputado federal, como é a meta do partido, não?

Nosso objetivo é eleger um federal, colocando toda a base municipal que nós formamos para apoiar um federal só. Evidentemente devemos ter aliança com algum partido, mas nós vamos apoiar apenas um nome. Vamos apoiar ele no sul, no centro, nas montanhas e no norte. E vamos fazer o que já conseguimos fazer em 1990. Um movimento no norte, sem ter um partido na mão, foram eleitos eu, deputado Dilo Binda, deputado Dario Martinelli e o deputado Ronaldo, em Linhares. É possível fazer, com os 78 municípios poderemos fazer quatro deputados estaduais e um federal.

E os nomes vão sair desse desempenho de 2012…

Para a Assembleia Legislativa vamos trabalhar nos candidatos a vereador que tiverem os melhores desempenhos em 2012. Vamos juntar por região, fazendo com que todas as câmaras de uma determinada região trabalhem por um nome. Vamos fazer um mapeamento do Estado e vamos fazer um movimento da base municipal ser representada na Assembleia. Nossa ideia é impedir que políticos viajantes tenham votos na nossa base. Vamos fazer os nomes da base serem eleitos para a Assembleia.

Sobre essa disputa por quadros no interior do Estado, o senhor chegou a reclamar do PMDB… em que lugares essa disputa foi mais acirrada? Onde o PSD estava quase fechando e o PMDB veio e tomou a liderança do PSD?

Especificamente, nós tivemos uma ação não muito ética do PMDB em Vila Pavão, em São Domingos e até mesmo em São Mateus. Quando estávamos nos movimentando para captar uma liderança importante de São Mateus, um ex-prefeito, o PMDB, num passe de mágica, nos tirou essa liderança. Mas o futuro a Deus pertence, vamos ver o que acontece.

Isso pode indicar um acirramento entre PSD e PMDB no interior na disputa eleitoral do ano que vem?

 O PSD tem uma má vontade com o PMDB, sim, com relação a esse episódio aí.

Mas percebemos nessa movimentação do PMDB que o DEM vai junto…

Mas o DEM só existe nessa possibilidade de ir a reboque de alguém, porque perdeu as pernas.

Mas tem o sul, com Theodorico Ferraço…

Theodorico já está andando devagar até por força da idade. Não sei como ele vai fazer com o DEM, acho que ele não foi inteligente em ter ficado. Sempre foi inteligente na política e dessa vez ele não foi. Ele fez uma escolha errada em ficar em um partido que está extremamente desgastado e que no Espírito Santo se resumiu a apenas ser aliado. Não tem coragem de fazer nenhuma disputa e em alguns estados é, inclusive, rejeitado.

Como o senhor está vendo o desenho eleitoral de 2012? Sabemos que uma importante parceira de boa parte dos políticos, a Aracruz Celulose, que sempre financiou muitos candidatos, sobretudo no norte, não vai mais entrar na eleição. Isso pode acirrar ainda mais a disputa. Como está o clima pré-eleitoral no Estado?

Até hoje não existiu nenhuma movimentação eleitoral de município que foi calma. Ela é sempre tensa, a disputa é muito acirrada e os desaforos são pauta do dia. Ninguém faz disputa municipal jogando flores, nem elogio. A barra é pesada mesmo.

O senhor afirma que o PSD vai formar aliança com o PSB, mas onde serão essas alianças se o PSB é um partido pequeno e tem poucas chances no Estado?

É porque vocês estão olhando só os municípios grandes. O PSB é um dos partidos que fará o maior número de prefeitos no Estado, em número de municípios. Pode anotar isso. Se somar PSD e PSB, vai acabar dobrando todo mundo.

Mas é preciso atentar para as realidades regionais. Vai ser possível juntar os partidos?

Mas já foi resolvido na formação do partido. O único partido que não tivemos atrito e tivemos parceria para montar as alianças municipais foi o PSB. O PMDB tentou atrapalhar 24 horas por dia.

Na verdade, foi o escritório do ex-governador Paulo Hartung, que recebia diariamente romaria de políticos.

Eu me dirijo à fonte oficial do partido e a fonte oficial do partido é o deputado Lelo Coimbra.

Vamos falar especificamente de Linhares. Por lá, a disputa é sempre igual, Nozinho Corrêa, Luiz Durão, José Carlos Elias, Guerino Zanon. O PSD pegou um nome, que é o presidente da Câmara, José Cardia, que tem muita respeitabilidade na cidade, um médico. Ele será candidato a prefeito?

 Nós vamos defender a candidatura dele como alternativa de candidato qualidade administrativa, profissional, inteligente, nova visão da vida política de Linhares. Acho que está na hora de Linhares ter uma nova opção e o PSD vai ter uma candidatura ficha limpa em Linhares.

Por: Rogério Medeiros e Renata Oliveira 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tags: A aliança preferencial é com o PSB do governador Renato Casagrandeenivaldo dos anjosPSD

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