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Novo governador Ricardo Ferraço já foi presidente da Assembleia Legislativa

Na liderança na Ales, Ricardo Ferraço participou da criação da Região Metropolitana, defendeu o maior equilíbrio entre os três Poderes e promoveu a modernização da Ales

PortalZ4 por PortalZ4
27 de março de 2026
em Destaques, Espirito Santo, Política

Na Galeria de Presidentes da Assembleia Legislativa, Ricardo Ferraço (MDB) figura como o 49º chefe do Legislativo capixaba do período republicano. Ele assumiu o posto em 1995, aos 31 anos, e até então era o mais jovem a ocupar o cargo. Aos 62 anos, assume o cargo de governador do Estado com a renúncia de Renato Casagrande (PSB), marcando a sua trajetória política, que inclui mandatos eletivos, cargos de gestão política e participação ativa na resolução de problemas do Espírito Santo.

Ricardo Ferraço iniciou sua vida pública como  vereador de Cachoeiro, na década de 1980, eleito aos 19 anos pelo então Partido Democrático Social (PDS). Também passou pela Câmara dos Deputados e chegou ao Senado da República em 2011 com marca histórica de 1.557.409 votos. É filho do prefeito de Cachoeiro Theodorico Ferraço (PP), que está no 16º mandato eletivo.

Presidência da Ales

O mandato de Ricardo Ferraço no comando da Ales foi marcado pela retomada das obras do prédio que hoje é a sede do Parlamento capixaba, na Enseada do Suá. Antes dele, o projeto ficou paralisado por seis anos devido às denúncias de irregularidades e a problemas contratuais. Ricardo liderou o processo de renegociação e retomada da construção, que era tema dominante na imprensa. Ele foi o terceiro gestor desde que a obra começou no ano de 1984.

“O Estado passava por problemas financeiros. Ricardo recebeu essa missão (…) tão grande e difícil e teve que fazer um grande ajuste na obra, porque a obra era muito mais cara do que o Estado poderia pagar (…). Ele refez os orçamentos, acho que inclusive mudou a consultora que fazia, enfim, foi uma tarefa gigante”, explicou o cientista político e historiador João Gualberto. Além de sanear a obra, Ricardo implementou reformas administrativas que prepararam a estrutura da Assembleia Legislativa para a transição de sedes.

A crise financeira do estado, citada por João Gualberto, testou a capacidade de articulação do então jovem presidente, já que os atrasos de pagamentos dos servidores e dívidas fiscais levaram à criação de diversas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar as dívidas públicas, sendo uma delas a do Banestes, em 1996.

Região Metropolitana

A criação da Região Metropolitana da Grande Vitória, em 1995, também teve participação ativa de Ricardo Ferraço. Ele foi responsável por articular e aprovar a lei que previa, inicialmente, a integração e o planejamento conjunto de serviços públicos dos municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Viana. A legislação também forneceu ferramentas para a consolidação do Transcol, criado no final dos anos de 1980 como um sistema metropolitano de transporte integrado.

A modernização institucional da Ales e a defesa de maior equilíbrio entre os Poderes também eram parte do discurso de Ricardo Ferraço à época, apesar das divergências partidárias e das tensões políticas com o então governador Vitor Buaiz (PT). Ricardo era incisivo na cobrança de soluções e na repercussão das fragilidades da gestão estadual, consolidando sua imagem como um líder jovem e independente no estado.

Câmara dos Deputados

Em 1999, período em que a crise financeira do estado se firmou como uma das piores da história, com greves e dívidas acumuladas, Ricardo, já no PSDB, surgiu como um dos nomes ligados ao governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, reeleito para a Presidência da República. E assim foi sua condução para a Câmara dos Deputados como aliado da continuidade do governo central.

Em Brasília, sua atuação foi voltada para a articulação de recursos federais para o Espírito Santo, com ênfase em infraestrutura e desenvolvimento econômico regional. Outro esforço de Ricardo Ferraço na Câmara foi a tentativa de levar os benefícios da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para o sul do Espírito Santo, seu berço eleitoral.

“Fez um mandato muito forte voltado para a economia do café, para o setor agrícola. Isso é muito importante, porque é daí que ele vira secretário de Agricultura mais tarde (…) Inclusive penso que o ponto alto da carreira do Ricardo é como secretário de Agricultura. Foi um excelente gestor e trabalhou muito para o interior, no chamado Caminhos do Campo. Enfim (…) um executivo de alto nível”, analisa Gualberto.

Senado

Na sequência da Secretaria de Agricultura, tornou-se vice-governador no segundo mandato de Paulo Hartung (PSD). Com a projeção que o cargo lhe trouxe, garantiu vaga no Senado e foi o relator da Reforma Trabalhista durante o governo Michel Temer. “Isso foi um projeto importantíssimo para o Brasil naquela época. Nós tínhamos um regime que penalizava muito, sobretudo os pequenos empreendedores. Muitas coisas que vieram da Era Vargas, muitos conceitos de direitos muito mal elaborados”, explica João Gualberto.

Desafios

Agora, depois de três anos e três meses atuando como vice-governador, Ricardo assume o governo do Estado para um mandato de oito meses. Na opinião de João Gualberto ele terá como principal desafio manter a estabilidade fiscal que o Espírito Santo alcançou.

“Tem uma grande responsabilidade de continuar a gestão, porque não é fácil substituir uma pessoa que vai muito bem. Quando vai mal, qualquer coisa que se faz, aparece (…) então, ele vai ter que manter o pião rodando e fazer as entregas que Casagrande propôs”, avalia o cientista político.

 

Fonte: Comunicação ALES

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