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“A automedicação é um problema de saúde pública”, alerta farmacêutico

Nesta entrevista especial, Paulo Alexandre Palácio, farmacêutico, fala dos perigos da automedicação e meios de contornar a prática tão comum ao redor do Brasil e do mundo

PortalZ4 por PortalZ4
2 de junho de 2024
em Brasil, Destaques, Espirito Santo, Política

Prática muito comum ao redor do mundo, inclusive no Brasil, a automedicação apresenta uma série de riscos para a saúde. É fato que alguns medicamentos são de venda livre (sem prescrição médica), mas isso não significa que podem ser usados indiscriminadamente.

Isso por que, mesmo esses tipos de medicamentos podem causar efeitos colaterais e interações prejudiciais se usados incorretamente ou em combinação com outros remédios, por exemplo.

Especialistas alertam que a automedicação pode, inclusive, levar a problemas como o uso incorreto de medicamentos, dosagens baixas ou altas, mascaramento de sintomas de condições mais graves e até mesmo desenvolvimento de resistência a antibióticos.

Conhecer os riscos e sempre buscar orientação médica adequada antes de ingerir um medicamento tornam-se imprescindíveis para a manutenção da saúde. Sobre isso e outros aspectos da automedicação, a reportagem especial conversou com o Paulo Alexandre Palácio, farmacêutico, proprietário e diretor da O2 Farmácia de Manipulação.

1. A automedicação pode ser considerada um problema de saúde pública?

Paulo Alexandre Palácio – Sim, A automedicação é um problema de saúde pública, o uso indiscriminado de medicamentos sem orientação profissional, pode resultar em sérios riscos à saúde, como efeitos colaterais graves, interações medicamentosas perigosas e mascarar doenças que necessitam de tratamento médico adequado.

2. O número cada vez maior de farmácias concentrando, além de medicamentos, produtos diversos acaba estimulando o consumo de remédios?

O aumento no número de farmácias pode, paradoxalmente, estimular a automedicação. A facilidade de acesso aos medicamentos sem prescrição médica e a pressão comercial para vendas muitas vezes incentivam os consumidores a comprarem remédios por conta própria, sem a devida orientação profissional.

3. Afinal, o que é automedicação?

A automedicação é a prática de utilizar medicamentos por conta própria, sem a orientação de um profissional de saúde qualificado, como um médico ou farmacêutico.

Isso inclui o uso de remédios para tratar sintomas ou condições percebidas, com base em autodiagnóstico, conselhos de amigos ou familiares, ou informações obtidas de outras fontes não profissionais. Embora possa parecer conveniente, a automedicação pode levar a uma série de problemas de saúde.

4. Quais os maiores riscos para a saúde?

Efeitos colaterais graves: que podem variar de leves a potencialmente fatais;

– Interações medicamentosas perigosas: interações que diminuem a eficácia dos remédios ou aumentam a toxicidade;

– Mascaramento de sintomas: O alívio temporário dos sintomas pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado de doenças subjacentes, piorando a condição do paciente;

– Resistência antimicrobiana: Uso indiscriminado de antibióticos sem necessidade pode contribuir para o desenvolvimento de bactérias resistentes, dificultando o tratamento de infecções no futuro;

– Dosagens incorretas: doses inadequadas, seja por excesso ou insuficiência, pode resultar em ineficácia terapêutica ou toxicidade;

– Dependência química e física;

– Reações alérgicas.

 

5. Existem medicamentos, mais usados na automedicação?

– Analgésicos e antitérmicos: paracetamol, ibuprofeno e dipirona.

– Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): Diclofenaco e associações

– Antibióticos: como amoxicilina e azitromicina.

– Antiácidos e medicamentos para refluxos e úlceras: Hidróxidos de magnésio e alumínio, omeprazol e suas classes.

– Antigripais e descongestionantes nasais: usado em resfriados e gripes;

Importante: Alguns, inclusive, causam efeitos rebote, quanto mais usam, mais aparecem os sintomas.

6. É importante que as pessoas entendam que o uso indiscriminado de medicamentos e a automedicação são os principais responsáveis pelos altos índices de intoxicação?

Sim, a conscientização é muito importante. As pessoas precisam receber informações constantemente para entender sobre estes riscos, muitas vezes os sintomas e os problemas causados não são imediatos, assim acreditam que tem tem problemas tais usos.

7. É possível combater esse “hábito”? O que poderia ser feito?

Sim, é possível combater a automedicação. Algumas medidas são importantes:

– Educação e conscientização: Campanhas educativas para informar o público sobre os riscos da automedicação e a importância de seguir orientação profissional.

– Fortalecimento da regulamentação: Reforçar a fiscalização sobre a venda de medicamentos, exigindo prescrição médica para medicamentos que apresentam maior risco.

– Campanhas de orientação nos estabelecimentos, principalmente Farmácias. Farmacêuticos e outros profissionais de saúde para orientar adequadamente os pacientes sobre o uso correto dos medicamentos.

– Acesso a cuidados de saúde: Melhorar o acesso aos serviços de saúde para que as pessoas possam obter diagnóstico e tratamento adequado, reduzindo a necessidade de automedicação.

Começou a atividade em farmácia em 1991, com 13 anos de idade. Em 1996 Com 17 anos, iniciou os trabalhos na Rede de Farmácia Santa Lúcia, como atendente, gerente. Em 2007 concluiu a graduação em farmácia e atuou com gerente e farmacêutico até 2015, quando montou a O2 Manipulação, onde atua como farmacêutico e Diretor.

 

Fonte: FolhaVitória

Foto: site oficial SESA

Foto/ Site do Governo do Espírito Santo
Tags: Automedicação

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